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O preço do amanhã
Em um futuro não muito distante, o ser humano para de envelhecer aos 25 anos. Para evitar a superpopulação, o cidadão trabalha para ganhar tempo, de forma literal. Tudo custa o tempo de sua vida: um café custa minutos, uma casa pode custar décadas. Quando um milionário dá a Will Sallas um século de vida e depois morre, Will é acusado de assassinato, logo após sua mãe morrer após seu tempo se esgotar. Will usa seu tempo para ir a zona dos mais ricos, e após ser encurralado por Leon, um agente do tempo, seqüestra a jovem e bela e rica Sylvia, buscando ganhar tempo e prova que é inocente.
O Preço do Amanhã é a prova que uma premissa intrigante pode resultar em um filme satisfatório, mesmo que a sua execução tenha falhas. O diretor e roteirista Andrew Niccol é conhecido por seus trabalhos originais, como Gattaca, O Senhor das Armas e o Show de Truman (seu melhor roteiro disparado). Em todos esses trabalhos, o script de Niccol consegue desenvolver a premissa com eficácia. No caso de O Preço do Amanhã, a idéia salva a execução genérica da trama, que desperdiça um grande potencial com uma história linear e simples. Eu li em algumas publicações a comparação entre este filme e A Origem, de Christopher Nolan, comparando a execução de uma idéia interessante. Ao analisar tal comparação, fica claro que o filme oferece menos do que pode.
A exploração mediana da premissa resulta em um filme pouco espetacular, mas que ainda consegue ser satisfatório. Niccol apresenta personagens interessantes, uma boa atmosfera e um ritmo decente. Apesar disso, a produção perde o foco em momentos específicos. Se em um instante, nos deparamos com protagonistas desafiando e questionando o novo sistema, em outros momentos a dupla Timberlake/Seyfried viram Bonnie e Clyde de sua geração, em uma tentativa de somar a idéia da dupla com a ação da trama. Funciona em alguns momentos, se mostra desnecessário em outros. A análise de riqueza e pobreza, simbolizada nas zonas de tempo, é interessante.
Niccol também exagerou na quantidade de vilões de seu filme. O sistema em si é o principal antagonista, mas o cineasta decidiu por criar inimigos para seus personagens. Phillipe Weis, pai da personagem Sylvia vivida por Seyfried é bilionário que se aproveita a desigualdade do sistema para enriquecer seu banco de tempo; Leon é um agente do tempo (ou policial) que persegue Will; por último, Fortis, líder da gangue Minute Man, que roubam o tempo dos mais pobres. Este último é o grande erro de Niccol, já que o personagem parece estar na trama apenas para completar o vazio da história.
Visualmente o filme tem estilo, com a abordagem retro e boas sequências de ação. Roger Deakins apresenta uma boa fotografia como sempre. O elenco faz um bom trabalho, ainda que a química entre Justin Timberlake e Amanda Seyfried tenha poucos momentos de brilho. Do elenco coadjuvante, destaque para o sempre eficiente Cillian Murphy. Destaque negativo para Alex Pettyfer, que exagera mais cada cena de seu vilão Fortis.
Irregular e pouco explorado, O Preço da Amanhã diverte pela funcionalidade de sua premissa na mente do público.
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A casa dos sonhos
O editor Will Atenton se muda com a família de Manhattan para uma cidade na Nova Inglaterra. Aos poucos, eles descobrem que a casa onde moram foi o local de um assassinato de uma mãe e seus filhos, cujo principal suspeito era o marido que sobreviveu. Will começa a investigar o caso, mas não tem certeza do que está acontecendo. Sua única ajuda vem da misteriosa vizinha Ann, que conhecia os assassinados. Ao montar quebra-cabeça, os dois precisam descobrir a identidade do assassino para antes que o criminoso volte.
A Casa dos Sonhos é um spoiler ambulante. Previsível, até o título entrega segredos da trama, assim como o trailer completo que revela basicamente o twist do filme. O roteiro pouco original aborda fatores pouco originais e melhor utilizados e outros filmes do gênero (Ilha do Medo), por exemplo. O desenvolvimento da trama é super previsível, e o público acaba sendo punido por um ritmo lento e entediante. O desfecho da trama é forçado e nenhum pouco satisfatório, encerrando a bagunça de uma hora e meia.
O trio Jim Sheridan, Daniel Craig e Rachel Weisz não gostaram da edição final do filme e se recusaram a divulgá-lo. Sheridan não gostava da forma que o roteiro era desenvolvido e de aspectos da produção, e até tentou remover o nome da produção. Alguns filmes funcionam com um roteiro fraco, mas um bom suspense não. Sheridan reclamou da produtora, mas um cineasta indicado seis vezes ao Oscar deve ter autonomia suficiente para reivindicar mudanças na produção. Realmente ficou parecendo que Sheridan sentiu que o barco estava naufragando durante as filmagens, e quis colocar a culpa na Morgan Creek. Todos têm sua parcela de culpa na péssima qualidade do filme, já que a produção de uma película é uma colaboração entre várias áreas.
O elenco não é culpado pela incompetência de Jim Sheridan, que não acerta desde Terra dos Sonhos, ou pelo comportamento amador do estúdio. O trabalho de atuação é mediano, embora pouca coisa pudesse ter sido feita com o roteiro. O filme possui alguns bons aspectos na fotografia e no ambiente criado, mas a única grande virtude da produção é a trilha sonora de John Debney, totalmente desperdiçada.
Um dos piores filmes do ano, sem mais delongas.
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Contágio
Contágio segue o rápido progresso de um vírus desconhecido que é transmitido por contato indireto e mata em alguns dias. Enquanto a comunidade científica corre para encontrar uma cura ou formular uma vacina para conter o vírus, a sociedade começa a desmoronar com a pandemia e o pânico de um mundo em destruição. A segunda colaboração entre Steven Soderbergh e o roteirista Scott Z. Burns tem um objetivo claro: ultra-realismo. Contágio nos apresenta uma situação a qual já presenciamos o início nos últimos: a rápida proliferação do pânico por causa de um risco iminente a saúde. Foi assim com a gripe suína, ou H1N1, que gerou pânico e certa paranóia de parte da população. Soderbergh trabalha para mostrar os dois lados da moeda, tanto da reação pública em relação ao progresso do vírus, quanto da comunidade científica, que corre para achar uma solução rápida. A abordagem do diretor é realista e direta, carregando a tensão da trama sem sacrificar o grande número de personagens que a trama apresenta. O desenvolvimento de Contágio acompanha estágios do progresso do vírus, e quanto ele deteriora a sociedade. Os médicos e cientistas fazem o que podem, as pessoas tentam sobreviver, muito aderindo à violência. No meio de todo o pânico, existem os oportunistas, que usam da situação para ganhar dinheiro e fama. Neste caso, um jornalista que inventa teorias conspiratórias e usa seu blog para divulgar uma cura que o mesmo afirma ter o salvado do vírus. Com um elenco numeroso e estrelado, Soderbergh divide o tempo de tela de seus astros para construir melhor a sua trama. Ao invés de usar vilões convencionais, como executivos farmacêuticos ou políticos, o cineasta prefere entregar o lado negro da trama ao jornalista vivido por Jude Law. A abordagem realista de Contágio recebeu vários elogios da comunidade científica, mas apresenta méritos artísticos notáveis. Boas atuações, ótima edição e a capacidade de assustar e enervar seu público sem a necessidade de pulos no roteiro ou apelação. Um thriller científico bem construído e envolvente.
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Gigantes de Aço
em 2020, homens foram substituidos por rôbos no boxe. charlie kenton é um ex-boxeador que tenta ganhar dinheiro com lutas de rôbos ilegais para pagar seus débitos. depois de perder mais um lutador, kenton descobre que a mãe de seu filho, max, faleceu. os tios do garoto querem a custódia, e kenton faz um acordo financeiro para liberar o garoto após uma viagem. após um começo conturbado, pai e filho encontram no boxe uma esperança em um robô que havia sido descartado, mas que pode ser um grande campeão.
adaptado da curta história steel, de richard matheson (eu sou a lenda), gigantes de aço é um trama esportivo futurístico dirigido por shawn levy. a presença do diretor pode se mostrar pouco empolgante, já que a carreira do cineastra é recheada de filmes medíocres como a pantera cor de rosa e 12 é demais, mabos com steve martin. entretanto, levy já havia evoluído seu timing cômico em uma noite fora de série, e agora tenta sair da mesmice de sua filmografia para encarar uma produção mais drámatica. surpreendentemente, é o melhor filme de levy.
gigantes de aço tem tudo que o gênero oferece. lutas empolgantes, drama dos personagens, emoção. é justo apontar que seus protagonistas são desenvolvidos o suficiente para conexão com o público, e o filme tem um bom equilibrio entre ação e drama, ainda que arrisque diversas vezes com tiradas cômicas. como não é perfeito, o filme se utiliza dos clichês do gênero e até exagera na dramaticidade, mas consegue transformar a soma peculiar (rocky + transformes?) em uma divertida e emocionante jornada, que apesar de previsível, não perde o ritmo da trama. a relação entre pai e filho é o foco principal da trama, mostrando que em alguns momentos os papéis parecem trocados, tamanho a infantilidade de charlie. a teimosia está presente nos dois, e no final, a dupla consegue segurar o filme.
o pequeno elenco faz um bom trabalho, com uma atuação descolada e divertid de hugh jackman. o destaque, porém, é o jovem dakota goyo, que entrega um personagem carismático e divertidíssimo. o filme possui ótimos méritos técnicos, como a excitante trilha sonora de danny elfman e os ótimos efeitos especiais, com os rôbos produzidos com a ajuda da perfomance por captura, que mostra os movimentos bem orquestrados dos lutadores. apesar disso, o filme faz um ótimo trabalho em lembrar o público que os verdadeiros protagonistas são os personagens humanos.
produzido com o intuito de oferecer muita diversão, gigantes de aço muito bem cumpre sua meta.
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CONAN O BÁRBARO
Não há muita relação na trama deste Conan com os filmes lançados nos anos 80, estrelados por Arnold Schwarzenegger, embora haja uma incômoda insistência de vários veículos da mídia em relatar esta produção como um remake. O Conan de 2011 é uma reinterpretação da história de Robert E. Howard. Esclarecimentos a parte, hora de analisar a volta do personagem aos cinemas. Ainda não entendo o porquê da escolha de Marcus Nispel para a direção de uma produção deste tamanho. O diretor possui quatro filmes em sua carreira (antes de Conan), e nenhum mostra muitas qualidades. Isso fica claro em Conan, tamanho a bagunça que é vista na tela. O roteiro é pífio e previsível, com diálogos fracos e desenvolvimento zero. É tudo uma desculpa para Nispel encher a tela com violência gratuita, muito sangue e membros decepados. Não esperava menos de um filme com um personagem tão bruto, mas o que cerca a violência não ajuda na produção. As cenas de ação são irregulares: enquanto umas são divertidas e movimentadas, outras são muito bagunçadas para acompanhar. Confesso que fiquei incomodado com algumas cenas do filme. A introdução começa de forma brilhante, lembrando a abertura de O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel, introduzindo o público ao núcleo da história. Na abertura, com narração de Morgan Freeman, vemos a introdução da trama, explanando sobre a máscara que carrega o filme até o nascimento do protagonista. É aí que a introdução fica um tanto quanto pesada, mostrando o bebê na barriga da mãe enquanto uma lâmina (de uma espada ou faca) perfura a barriga passando perto da criança. Esta criança, óbvio, é Conan, e a cena serve para simbolizar o que é dito várias vezes no filme: Conan nasceu no meio da guerra. É neste momento que você identifica o foco da produção. O elenco possui altos e baixos. Jason Momoa faz um trabalho decente como Conan, adicionando um pouco de carisma ao personagem, assim como Rachel Nichols. Os vilões, porém, se entregam as performances exageradas e pouco ajudadas pelo roteiro. Tanto McGowan quanto Lang se utilizam do “overacting” para criar um vilão de filme b, caricato e exagerado. Tecnicamente o filme é decente, com bons efeitos especiais, fotografia e trilha sonora decentes. Mais uma vez, o 3D parece desnecessário, em um filme que abraça a violência e despreza a trama.





































