• Gazeta de São João 11/10/2014

    Blog de fernandodezena :poesias - fernando dezena, Gazeta de São João 11/10/2014

    EITA, MUNDO VÉIO SEM PORTEIRA!

    ...para cada elite a se beneficiar do extrativismo, há uma não elite que adoraria substituí-la. Às vezes as disputas levam tão somente à substituição de uma elite por outra.” *1

    Não é que a eleição pegou no breu! O segundo turno serve para que os candidatos reafirmem suas propostas e tentem convencer o eleitor de que é a melhor opção para governar a nação nos quatro próximos anos. Quatro não, nem Dilma do PT, nem Aécio do PSDB, que foi o partido que conseguiu aprovar a reeleição para FHC, com denúncias contundentes de compra de votos de parlamentares à época, é a favor de acabar com mais esta besteira que o Tucanato fez!

    O segundo turno, acredito, se pautará pelo confronto sem limites. O PSDB, e grande parte da imprensa, tentando imputar ao PT a criação da corrupção mundial, inclusive sendo um petista a cobra que deu à Eva a maçã; e o PT, refrescando a memória do povo brasileiro, falará das terríveis denúncias de corrupção durante o governo dos tucanos jogadas para debaixo do tapete. Esta semana vi uma notícia da Folha de São Paulo à época denunciando o gasto de U$ 50 milhões de dólares para mudar o nome da PETROBRAS para PETROBRAX, já no caminho de sua privatização. Na economia acusarão o PT do pífio crescimento dos últimos anos e o PT jogará na cara do PSDB que tirou 30 milhões da linha da miséria. O PT falará que consegue manter o país no pleno emprego, contra recordes seguidos de desemprego na época FHC e o PSDB dará a contrapartida de que tudo isso só foi possível com o PLANO REAL! Embora a criação tenha sido do saudoso mineiro falecido ITAMAR FRANCO (Os atuais caciques se apropriam da maternidade). É, acredito que a coisa será feia e no meio do tiroteio vamos ver quem tem mais bala na agulha. Quanto ao povo, ficará de expectador esperando que algum candidato lembre-se dele por um instante.

    Infelizmente, a nossa política é triste e acaba me entristecendo. Não vi durante todo o primeiro turno, e acredito que não verei no segundo, uma discussão saudável de boas ideias para que o Brasil avance mais na diminuição das desigualdades sociais. O crescimento mundial é medÍocre e a previsão é de que assim se mantenha por longo período.

    Mas, o mais importante, acredito eu, é o poder da Democracia como roda mestra das sociedades INCLUSIVAS e não EXTRATIVISTAS. Relembrando, sociedades INCLUSIVAS são aquelas que procuram distribuir melhor os poderes por toda a sociedade, conseguindo desta forma maior igualdade e crescimento econômico duradouro, pois as partes “prós e contras” às ideias postas à mesa possuem maior poder de negociação. As EXTRATIVISTAS são aquelas pautadas por uma pequena casta que quer tirar a curto e longo prazo as riquezas do “todo”, concentrando-a. Pautam sua conduta na manutenção de privilégios conquistados. Estão neste segmento os grandes empresários de todos os ramos, a cúpula de grandes partidos, as instituições de toda a nação.

    O BRASIL SEMPRE FOI EXTRATIVISTA, as instituições sempre foram extrativistas! Vez ou outra aparece um maluco para tentar mudar este rumo, mas de forma desordenada e precária diante das forças de poder que imperam. Às vezes acabam na cadeia, noutras envenenados em alguma fazenda Uruguaia/Argentina, raramente com um tiro no peito. Mas, nada muda e não acredito em grandes transformações agora!

    Quanto à DEMOCRACIA, precisa modernizar-se na REPRESENTATIVIDADE, para que pessoas de boa ideias e principalmente índole, tenham condições e se sintam atraídas para participarem das mudanças que o Brasil necessita, como está, fica apenas nas mãos dos clãs permanentes de mandatários da nação.

    Inté!

    *1 ACEMOGLU, Daron & ROBINSON, James – Porque as nações fracassam – Ed. Campus pag. 112

     

     

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  • Crônica da sexta

    Blog de fernandodezena :poesias - fernando dezena, Crônica da sexta

    DON QUIXOTE E A BESTA FERA!

    Fiquei pensando, não me lembro se levantei da cama e pus primeiro o pé esquerdo no chão! Estava tudo normal, cinco e meia da manhã, fui ao banheiro, tomei um banho gostoso, barbeei-me, olhei e escolhi o terno preto que gosto muito, camisa branca, titubeei na gravata um instante, mas escolhi uma de seda amarela com tons verdes que é uma belezura. Opa, lembrei-me do primeiro sinal! Ao entrar no banheiro social para pegar não sei o quê, a Letícia estava secando o cabelo, levou o maior susto, deu um grito e um pulo! “Você não me viu entrando? – questionei.” “Não – respondeu com a cara amarrada.” Fui à cozinha, o desjejum sobre a mesa, do jeito que gosto, leite quente com café em xícara grande e um pão quente na chapa com Becel sabor manteiga. Depois, o cafezinho preto na xícara apropriada, tudo com a mão esquerda. Tomo meu café segurando as xícaras com a canhota para desenvolver os dois lados do cérebro. Não sei onde li, mas faço! De repente a Luciane entrou na cozinha! “Não quer matar aquela bruxa?” Veio à mente que, dias atrás, havia me falado sobre o inseto, mas não dei importância, pois minha infância foi povoada por esta borboleta crescida. “Onde ela está? – questionei como um Don Quixote, altivo, a vencer moinhos! “Em cima do tajer – mostrou-me tirando a fruteira!” Era um animal maior do que havia imaginado. “Pega o veneno – ordenei à recém eleita Sancho Pança!” “É mesmo - espantando-se com a minha inteligência! Ela ficou próximo à porta que dá acesso à sala e eu, do outro lado da cozinha, atrás da mesa, chacoalhei a latinha com o veneno letal várias vezes e coloquei-me em posição. Apertei o pino. Chiiiiiiiiiiiiiiii! Não é que aquela besta fera levantou voo desnorteada, rasante, aprumando-se para me atacar! A Luciane soltou dois gritos guturais e correu para a sala largando-me só na peleja. Tentei segui-la, mas estava encantoado entre a parede e a mesa, fui lançar mão novamente do veneno, mas a porcaria da válvula emperrou, a besta circundou pela esquerda preparando-se para atacar meu flanco direito. Era a chance de fugir! Virei-me abruptamente, como a fazer um peão sobre o pé esquerdo, e imprimir velocidade rumo à sala! Neste momento, meu pé, inexplicavelmente, prendeu-se a não sei o quê e o Don Quixote da Mooca caiu abatido, com a indumentária tão linda, sobre a perna e braço esquerdos, causando grande estrondo nos andares inferiores. A dor lancinante no joelho arrancou-me lágrimas, ali mesmo, abatido, no chão da cozinha! Com grande esforço me levantei, caminhei até o sofá da sala, a Luciane e a Letícia vieram ao meu encontro, e com um misto de vergonha e dor, disse que havia abatido o animal, mas não saíra ileso. Mais uma lágrima correu! Com o andar dificultoso, e as ideias embaralhadas pelo corpo em exaustão, consegui pegar o carro e levar a Letícia na Universidade. Não suportando a dor, a médica no hospital, depois dos exames de praxe, receitou-me remédios, repouso, perna pra cima e compressas de gelo! Então, fiquei de molho nesta quinta, ficarei na sexta e tudo indica no final de semana. Sem o que fazer, me exercito na escrita de crônicas que é muito menos arriscado que enfrentar animais alados logo de madrugadinha.

    Em tempo! Na hora do almoço a Luciane contou-me que a faxineira lançou mão de uma sacolinha plástica, pegou o bicho ainda vivo, mas já cansado pelo embate, e jogou-o no lixo!

     

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  • Gazeta de São João 04/10/2014

    Blog de fernandodezena :poesias - fernando dezena, Gazeta de São João 04/10/2014

    Óh! PÁTRIA AMADA!

    Gostaria que as eleições terminassem amanhã. Esse negócio de segundo turno é um porre, mesmo por ½ a zero decidir-se-ia o pleito e o perdedor, que não conseguiu convencer o cunhado a votar nele, que vá chorar na cama que é lugar quente. Digo isso pela minha falta de ânimo diante do quadro político do nosso país. O grande último bastião que acreditava fosse nos redimir, o partido que usa o vermelho e uma estrela e o primeiro nome começa com P de Partido e o último com T de Trabalhadores, acabou caindo nos velhos costumes e, embora tenha tirado alguns milhões da linha de pobreza, usa métodos não ortodoxos para conseguir aprovar leis e se manter no poder.

    Bem que, quando o Lula foi eleito pela primeira vez, a coisa já cheirava esquisito com o sequestro e morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, e o hoje condenado José Dirceu no auge dos conchavos para fazer um presidente. Lembro-me bem, muitos que acompanhavam a política atentamente vieram me questionar a coerência do discurso com a ação. Deu no que deu!

    Infelizmente, todos os partidos acabam caindo dentro de um esquema monstruoso de conchavos e arranjos que pouco permite, até mesmo aos mais bem intencionados, seguir sem mácula. Ou sai da política ou rende-se a atos indesejáveis, pois parece ser a única forma de sobreviver. Daí vem meu descrédito. Mas, se pareço amargo neste momento, já fui militante em muitas lides e não devemos perder o desejo de mudança, acreditar e lutar. Vamos em frente que quando o povo desanima mais fácil fica para aqueles que só querem se locupletar no poder!

    Acredito que nosso país vive uma escassez de lideranças nos cambaleantes poderes institucionais. Os grandes nomes que construíram o país arrastando multidões para o mal ou para o bem, não mais existem. Olhem o trio que disputa a presidência, olhem o trio que disputa o governo de São Paulo, não empolga. E dentro da baderna institucional brasileira, poucos querem se aventurar em ver o que têm de mais precioso perecer, a honradez! Então, continuamos flutuando na mediocridade!

    Bem que o povo em passado recente parecia que ia levantar do seu berço em sono eterno com caminhadas monumentais por todas as cidades. Depois, vieram os baderneiros quebrando praças, bancos e saqueando o comércio, como que propositalmente, para desacreditar o movimento. Mas, uma centelha ficou no coração de quem participou.

    O dever cívico nos chama! Avante Brasil, Avante Pátria amada, idolatrada! Salve! Salve, que, se tudo der certo, vou e filo uma bóia com cerveja gelada em algum canto da cidade. Ops! Beber não pode, vai com água mineral Platina, é claro!

    Inté!

     

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  • PERDÃO


    NO YOUTUBE


    ando pela rua como a desconstruir o mundo
    e o mundo desconstruído me consome em espiral
    como o redemoinho na poeira da infância
     
    parece que na rua não existe amanhã
    do ontem não me lembro
    o hoje esvai-se sob meus pés
    não deixo marcas
    pois a ninguém me cabe levar ao nada
     
    o cheiro de minha alma, disperso, talvez
    talvez o cheiro de meu corpo de homem encontrem
    talvez o cheiro do amor do meu corpo de homem
    a perder-se nas entranhas da mulher
    nas volúpias infindas
    não no ontem
    não no amanhã
    mas no agora de meu corpo em exaustão
    mas o aroma se dissipa e se perde
    e nele não me encontro
     
    talvez no agora
    na vacilo do passo e na incerteza da alma
    talvez agora perdido neste leito
    talvez agora a escrever este poema
    talvez agora a ouvir este poema
    me encontre
    sedento de amor
    e a pedir perdão
    pelo tanto que te quis viver

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  • Gazeta de São João 20/09/2014

    Blog de fernandodezena :poesias - fernando dezena, Gazeta de São João 20/09/2014

    PRIMAVERA, BOCA DO LEÃO E PORCO À PARAGUAIA

    Pronto, chegou a primavera, mas as chuvas pelo jeito irão demorar. É que precisa chover, mas chover muito. Um mês seguido daquela que batuca suave no telhado e infiltra na terra molhando sem destruição. As flores já estão por aí, os ipês brancos são magníficos, as roseiras, que hibernaram na poda do inverno, já estão de dar alegria! Como é bom vermos coisas belas, não é verdade?

    Acho que estou passando de fase (ficando velho). Acontece que na juventude adorava ver tudo o que estava errado no mundo e modificar. Hoje prezo pelo belo e tento fazer vistas grossas ao mal feito. Noto que não sou apenas eu. Imaginei um grupo no facebook há dois anos, onde mostraríamos apenas as coisas belas de Águas da Prata, em contraponto a outros grupos que para utilizarem o falso “mote” do debate aberto, procuraram liquidar nossa estância, enxergando e inventando em cada canto um problema. Não é que o grupo vai muito bem obrigado! Já chegamos a quase dois mil membros espontâneos e, a cada dia, cresce mais. A principal regra é: “Mostrar apenas as belezas da estância e seu povo!” O que foge disso, procuramos alertar aos membros sobre o inconveniente e tocamos em frente. Estou feliz por isso!

    Falando em beleza, o final de semana passado, na inauguração do espaço CULTURAL BOCA DO LEÃO, ela ficou latente. Tudo contagiou-se de beleza e emoção. A casa, os jardins, a cerimônia, emoldurou como é gostoso viver o belo! Foi um presente para toda a região e não só à população da Fonte Platina. Agora, os eventos e exposições tendem a se multiplicarem e o ponto turístico ficou de extremo bom gosto. Não digo pelo fato de ter sido construído pelo meu irmão e minha cunhada. Acontece que as opiniões foram unânimes neste quesito e bombaram nas redes sociais. Mais uma vez, parabéns!

    Já que as coisas estão bombando por estas bandas, voltarei neste final de semana para participar de um evento na ACADEMIA, o julgamento de trabalhos das escolas da cidade, depois, à noite, PORCO À PARAGUAIA no Barracão da Igreja Nossa Senhora de Lourdes, na estância. A cozinha capitaneada pelo Dr. Antônio Carlos Buffo não necessita apresentação. Tudo que se propõe a fazer fica excelente, não só nas lides jurídicas, mas nas pitadas de sal e pimenta dos jantares deliciosos.

    Agora é viver e aproveitar o “belo”. Isso mesmo, a vida tem muita coisa boa para ficarmos insistentemente agoniados com picuinhas. Lógico que existem coisas a melhorar, principalmente em nós, mas as coisas boas as suplantam imensamente!

    Inté!

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